quinta-feira, 9 de março de 2017

A globalização na música terceiro plural / Questão elaborada pelo professor e geógrafo Paulo Vital.

Analise a letra da musica a seguir e responda o que se pede.

Os diferentes modelos produtivos de cada momento do sistema capitalista, sempre foram o resultado da busca por caminhos para manter o crescimento da produção e do consumo. Assim sendo, a partir da compreensão da música e de seus conhecimentos, qual a relação existente entre globalização, sociedades de consumo e degradação ambiental. Utilize o espaço destinado aos comentários para responder e debater sobre o tema.

quarta-feira, 8 de março de 2017

O fenômeno da globalização segundo Milton Santos.

Para Milton Santos, a globalização é, de certa forma o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista. Esse conceito se materializa de diversas maneiras no nosso cotidiano, já que o processo de internacionalização, implica a construção de uma rede de comunicação, que interliga o local ao global, numa mútua relação de influência. Podemos falar de uma relação entre localismos e globalismos. Nessa dinâmica, somos em certo sentido massa de manobra e ao mesmo tempo, força motriz, que alimenta um sistema marcado por uma infinidade de possibilidades, expressas nos fluxos da globalização. Trocando em miúdos, a globalização produz e sustenta, o fluxo do capital, de mercadorias, de pessoas, de informação e, sobretudo, fluxos culturais, que contribuem para a construção da perspectiva de aldeia global. Essa perspectiva, além de alienante, esmaga as particularidades da identidade de cultural de cada povo, de suas etnias e processos históricos, reduzidos a uma padronização cultural.

É nessa perspectiva que Milton Santos nos apresenta o tema da globalização a partir de uma tríplice visão de mundo. Assim, esse grande geógrafo brasileiro, nos apresentará em seu livro "por uma outra globalização", o mundo como fábula,como perversidade e como possibilidade.

Em seu livro, Milton Santos afirma: "vivemos num mundo confuso e confusamente percebido. Haveria nisto um paradoxo pedindo uma explicação? De um lado, é abusivamente mencionado o extraordinário progresso das ciências e das técnicas, das quais um dos frutos são os novos materiais artificiais que autorizam a precisão e a intencionalidade. De outro lado, há, também, referência obrigatória à aceleração contemporânea e todas as vertigens que cria, a começar pela própria velocidade. Todos esses, porém, são dados de um mundo físico fabricado pelo homem, cuja utilização, aliás, permite que o mundo se torne esse mundo confuso e confusamente percebido." Aqui, torna-se clara a visão do autor, em reconhecer o progresso das ciências e das técnicas, reconhecidamente marcadas pela precisão e intencionalidade. De fato, o avanço das técnicas produziram uma profunda transformação na relação do ser humano com o espaço geográfico. Poderíamos dizer até que, essa transformação se mostra irreversível e veloz. Os sistemas produtivos se tornam cada vez mais equipados de uma força transformadora que tem influenciado o comportamento humano e suas mais variadas relações. Contudo, todo esse avanço, produz efeitos potencialmente perigosos, já que nutre o crescente interesse pelo consumo e pelo descarte. Consumimos mais recursos naturais e, consequentemente, também produtos industrializados, ações que, inevitavelmente, nos levam a descartar de forma mais rápida e danosa. Mergulhamos o planeta numa condição extrema de exploração e degradação. Essa degradação não se mostra apenas na perspectiva ambiental, as relações sociais, econômicas, políticas, também apontam para uma insustentabilidade, que concentra a riqueza nas mãos de uma minoria, aprofundando as mais diversas formas de exclusão social e empobrecimento.

Segundo Milton Santos, explicações mecanicistas são, todavia, insuficientes. É a maneira como, sobre essa base material, se produz a história humana que é a verdadeira responsável pela criação da torre de babel  em que vive a nossa era globalizada. Quando se permite imaginar que se tornou possível a criação de um mundo veraz, o que é imposto aos espíritos é um mundo de fabulações , que se aproveita do alargamento de todos os contextos (M. Santos, A Natureza do espaço, 1996) para consagrar um discurso único. Seus fundamentos são a informação e o seu império, que encontram alicerce na produção de imagens e do imaginário, e se põe a serviço do império do dinheiro, fundado este na economização e na monetarização da vida social e da vida pessoal. De fato, se desejamos escapar à crença de que esse mundo assim apresentado é verdadeiro, e não queremos admitir a permanência de sua percepção enganosa, devemos considerar a existência de pelo menos três mundos num só. O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização.

Fonte: SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal / Milton Santos. - 22ª ed. - Rio de Janeiro: Record, 2012.

terça-feira, 7 de março de 2017

Zygmunt Bauman e a educação.


Para os professores que visitam o blog e outros interessados, sugiro que assistam essa entrevista com Zygmunt Bauman. Postem seus comentários e vamos refletir sobre educação.

Uma homenagem a Paraíba, a qual estou ligado por vínculo afetivos. Eis o meu lugar!


A geografia também está presente na música. Vamos ouvir e aprender!



O lugar é uma das categorias de análise da geografia. A partir do lugar podemos compreender os processos de construção e integração desses ambientes. Nele também percebemos que o antigo e novo andam juntos e estão expressos nas diferentes arquiteturas, traçados das ruas e avenidas e em tantos outros elementos que traduzem o lugar. A ele estamos unidos por vínculos afetivos, nutrido por nossas experiências e identificação. Assim, os lugares se conectam e de diversas formas nos relacionamos com ele. Na música "o meu lugar", perceberemos a bela descrição que o autor faz sobre os elementos que compõem  o seu lugar. A religiosidade, as festas, sua história, seu povo, sua identidade. Curta a música e reflita sobre a beleza do lugar que ela nos apresenta. 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Questão para exercitar - A Coreia do Norte e uso de armas nucleares

A Coreia do Norte afirma ter conduzido com sucesso seu quinto e mais potente teste nuclear, aumentando a tensão na região e os temores de que o país esteja incrementando um arsenal nuclear de olho em possíveis conflitos militares. Sobre as repercussões geopolíticas do fato, pode-se concluir que

(A)   O presidente sul-coreano, Park Geun-Hye, classificou o teste de ato de "autodestruição" que expôs a "imprudência maníaca" do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un.
(B)   As estimativas da potência da explosão desse quinto teste são pouco precisas. Há especialistas que sugerem que ela atingiu níveis inferiores à bomba lançada pelos Estados Unidos em Hiroshima, em 1945.
(C)   a Coreia do Norte diz ter "miniaturizado" ogivas nucleares com sucesso - afirmação que pôde ser comprovada de forma independente, e aferida por muitos especialistas em nível global.
(D)   analistas acreditam que os primeiros testes usaram plutônio. Não se sabe ao certo se o terceiro, em 2013, usou plutônio ou urânio como matéria-prima. Mas acredita-se que essas ocasiões testaram bombas atômicas de baixo risco mundial.

(E)    EUA, Rússia, China, Japão e Coreia do Sul fizeram várias rodadas de negociações com os norte-coreanos, e estão conseguindo demover Pyongyang da ideia de investir em armamento nuclear.

GABARITO - LETRA A

Questão para exercitar - Indústria 4.0

QUESTÃO 01
A indústria 4.0 é um conceito proposto recentemente e que engloba as principais inovações tecnológicas dos campos de automação, controle e tecnologia da informação, aplicadas aos processos de manufatura. A partir de Sistemas Cyber-Físicos, Internet das Coisas e Internet dos Serviços, os processos de produção tendem a se tornar cada vez mais eficientes, autônomos e customizáveis.
Isso significa um novo período no contexto das grandes revoluções industriais. Com as fábricas inteligentes, diversas mudanças ocorrerão na forma em que os produtos serão manufaturados, causando impactos em diversos setores do mercado.
Por Cristiano Bertulucci Silveira. Disponível em: http://www.citisystems.com.br/industria-4-0/. Acesso em 09/10/2016.
Fonte: http://www.group-promotion.com/industria-4-0/industria-4-0/. Acesso 06/03/17.

Relacionando o texto com o infográfico e considerando os seis princípios para o desenvolvimento e implantação da indústria 4.0, pode-se concluir que os sistemas de produção inteligentes que tendem a surgir nos próximos anos, promoverão cada vez mais
(A) o aumento da capacidade de operação em tempo real, fato, que consiste na aquisição e tratamento de dados de forma praticamente instantânea. Mesmo que os encaminhamentos práticos exijam uma escala de tempo maior na busca por soluções, a possibilidade de decisões assertivas e produtivas está garantida.
(B) simulações utilizadas ainda em caráter experimental, amparadas em sistemas supervisórios, que se expressam na existência de uma cópia virtual das fabricas inteligentes, promovendo assim, a rastreabilidade e o monitoramento remoto de todos os processos por meio dos inúmeros sensores espalhados ao longo da planta.
(C) tomada de decisões a partir do sistema cyber-físico respondendo as necessidades da produção em tempo real. As máquinas atuarão autonomamente aplicando comandos que fornecerão informações sobre seu ciclo de trabalho. Os módulos da fábrica inteligente trabalharão de modo centralizado, independente da ação humana.
(D) orientação a serviços que se utilizarão de arquiteturas de software orientadas a serviços aliado ao conceito de Internet of Services, o que garantirá a interoperabilidade dos sistemas cyber-físicos (suportes de peças, postos de reunião e produtos), sem necessariamente depender da Internet das Coisas e da Internet.
(E) a modularidade da produção de acordo com a demanda, possibilitando o acoplamento e desacoplamento de módulos na produção. Essa característica, oferece flexibilidade para alterar as tarefas das máquinas facilmente, garantindo uma produção mais personalizada e sustentável.

GABARITO - LETRA E

domingo, 5 de março de 2017

Vamos trabalhar a geografia na poesia?

EU, ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome 

que não é meu de batismo ou de cartório, 
um nome... estranho. 
Meu blusão traz lembrete de bebida 
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro 
que não fumo, até hoje não fumei. 
Minhas meias falam de produto 
que nunca experimentei 
mas são comunicados a meus pés. 
Meu tênis é proclama colorido 
de alguma coisa não provada 
por este provador de longa idade. 
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, 
minha gravata e cinto e escova e pente, 
meu copo, minha xícara, 
minha toalha de banho e sabonete, 
meu isso, meu aquilo, 
desde a cabeça ao bico dos sapatos, 
são mensagens, 
letras falantes, 
gritos visuais, 
ordens de uso, abuso, reincidência, 
costume, hábito, premência, 
indispensabilidade, 
e fazem de mim homem-anúncio itinerante, 
escravo da matéria anunciada. 
Estou, estou na moda. 
É duro andar na moda, ainda que a moda 
seja negar minha identidade, 
trocá-la por mil, açambarcando 
todas as marcas registradas, 
todos os logotipos do mercado. 
Com que inocência demito-me de ser 
eu que antes era e me sabia 
tão diverso de outros, tão mim mesmo, 
ser pensante, sentinte e solidário 
com outros seres diversos e conscientes 
de sua humana, invencível condição. 
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro, 
em língua nacional ou em qualquer língua 
(qualquer, principalmente). 
E nisto me comparo, tiro glória 
de minha anulação. 
Não sou - vê lá - anúncio contratado. 
Eu é que mimosamente pago 
para anunciar, para vender 
em bares festas praias pérgulas piscinas, 
e bem à vista exibo esta etiqueta 
global no corpo que desiste 
de ser veste e sandália de uma essência 
tão viva, independente, 
que moda ou suborno algum a compromete. 
Onde terei jogado fora 
meu gosto e capacidade de escolher, 
minhas idiossincrasias tão pessoais, 
tão minhas que no rosto se espelhavam 
e cada gesto, cada olhar 
cada vinco da roupa 
sou gravado de forma universal, 
saio da estamparia, não de casa, 
da vitrine me tiram, recolocam, 
objeto pulsante mas objeto 
que se oferece como signo de outros 
objetos estáticos, tarifados. 
Por me ostentar assim, tão orgulhoso 
de ser não eu, mas artigo industrial, 
peço que meu nome retifiquem. 
Já não me convém o título de homem. 
Meu nome novo é coisa. 
Eu sou a coisa, coisamente.
Carlos Drummond de Andrade ANDRADE, C. D. Obra poética, Volumes 4-6. Lisboa: Publicações Europa-América, 1989.
Fonte: https://pensador.uol.com.br/frase/MjAyODM0/. Acesso em 06/03/17.

Monólogo Mundo Moderno - Chico Anysio

E vamos falar do mundo, mundo moderno
marco malévolo
mesclando mentiras
modificando maneiras
mascarando maracutaias
majestoso manicômio
meu monólogo mostra
mentiras, mazelas, misérias, massacres
miscigenação
morticínio, maior maldade mundial
madrugada, matuto magro, macrocéfalo
mastiga média morna
monta matumbo malhado
munindo machado, martelo
mochila murcha
margeia mata maior
manhazinha move moinho
moendo macaxeira
mandioca
meio-dia mata marreco
manjar melhorzinho
meia-noite mima mulherzinha mimosa
maria morena
momento maravilha
motivação mútoa
mas monocórdia mesmice
muitos migram
mastilentos
maltrapilhos
morarão modestamente
malocas metropolitanas
mocambos miseráveis
menos moral
menos mantimentos
mais menosprezo
metade morre
mundo maligno
misturando mendigos maltratados
menores metralhados
militares mandões
meretrizes marafonas
mocinhas, meras meninas,
mariposas
mortificando-se moralmente
modestas moças maculadas
mercenárias mulheres marcadas
mundo medíocre
milionários montam mansões magníficas
melhor mármore
mobília mirabolante
máxima megalomania
mordomo, mercedez, motorista, mãos
magnatas manobrando milhões
mas maioria morre minguando!
moradia meiágua, menos, marquise
mundo maluco
máquina mortífera
mundo moderno melhore
melhore mais
melhore muito
melhore mesmo
merecemos
maldito mundo moderno
mundinho merda!
Fonte: http://www.50emais.com.br/monologo-mundo-moderno/. Acesso em 05/03/17.

Para refletir...

"A capacidade de carga de uma ponte não é medida pela capacidade média dos pilares, mas pela capacidade do pilar mais fraco. Eu sempre acreditei que não se mede a qualidade de uma sociedade pelo seu Produto Interno Bruto, mas pela qualidade de vida de seus membros mais fracos".
Zygmunt Bauman.